Relembrando o Natal da minha infância

Fazendo uma comparação entre o natal da minha infância e a dos meus netos, percebo que muita coisa mudou. O que ainda permanece é a crença no Papai Noel, pelo menos até certa idade.

Lembro que a espera do Natal era mais longa porque, naquela época, presente só o de Papai Noel.

Era tudo muito mágico! Amanhecia o dia de natal e todas as crianças corriam pra calçada a exibir seus presentes. Mas, algo que não dava pra entender, acontecia, Papai Noel era muito generoso com algumas crianças e com outras, não.

Àquela época, éramos três irmãs (as duas mais novas não eram nascidas) e, curiosamente, Papai Noel, numa noite de natal, presenteou minhas duas irmãs com bonecas e a mim com um carrinho. Meu pai, tentando me consolar disse que ele deveria ter se equivocado ao ver meu cabelo curto e pensou que eu fosse homem (acho que, no fundo ele queria muito ter um filho homem). Aquilo me deixou muito triste, porque não podia aceitar que ele se enganasse daquela forma. Ele deveria conhecer todas as crianças e eu não conhecia ninguém que tivesse passado pelo mesmo constrangimento. Pior foi saber, algum tempo depois, quem de verdade era o Papai Noel.

Na atualidade, tudo é muito farto. A criança é presenteada quase que todos os dias e a novidade dura pouco. São tantos os presentes que a criança recebe na noite de natal que é comum serem largados, logo em seguida.

Foram poucos os presentes de natal que recebi, mas, lembro-me de uma boneca que ganhei, dessas que ainda hoje existem: olhos e boca pintados, pernas e braços sem movimentos e cabelos de lã. O melhor brinquedo que ganhei em toda minha infância. Por ocasião das férias em casa de meu avô, no interior, ao pegar o trem de volta para casa me dei conta que tinha deixado a boneca em casa de uma prima, que como eu, jamais ganhara uma boneca como aquela. Chorei a viagem inteira e durante muitas noites, ao lembrar, da minha boneca.

Certa noite, conversando com minha netinha que brincava com muitas das suas bonecas Barbie, contei para ela essa estória e ela, inocentemente, disse:

“Você era pobrezinha, vó?”

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