Manicômios, nunca mais!

Com a notícia de que o Ministro da Saúde, Marcelo Castro dispensou o coordenador de saúde mental Tykanori, ativista da reforma psiquiátrica e deve nomear um psiquiatra anti reforma, ex diretor de manicômio, lembrei de um texto publicado em meu antigo blog, em dezembro de 2013, sobre o livro – Holocausto Brasileiro e que é pertinente para o momento.

holocaustobrasileiroAs revelações contidas no livro, Holocausto Brasileiro, apesar de já terem sido noticiadas pela imprensa brasileira, para mim soaram como novidade. Jamais ouvira falar de tal situação em nosso país.

Segundo relata a autora, Daniela Arbex, cerca de 70% dos internos não tinham diagnóstico de doença mental. Eram epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava ou que se tornara incômoda para alguém com mais poder. Eram meninas grávidas violentadas por seus patrões, esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento, homens e mulheres que haviam extraviado seus documentos. Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos 33 eram crianças.

Durante a leitura não parei de me questionar: quem seriam aquelas pessoas agrupadas no maior hospício do Brasil, na cidade mineira de Barbacena? Por que tantas pessoas de diversas partes do Brasil eram conduzidas à Barbacena onde eram aprisionadas e até mortas, sem que a sociedade, o governo e mesmo os médicos e enfermeiros denunciassem e, mesmo após denúncias de revistas de destaque, como – O Cruzeiro – tudo permaneceu da mesma forma por décadas?

A lógica reencarnacionista prevaleceu como a explicação mais coerente, de vez que, Deus não é injusto e jamais permitiria que nenhum de seus filhos sofresse injustamente.

Disse Jesus: “É necessário que o escândalo venha, mas, ai de por quem ele vier”, deixando claro que situações tais, que seriam motivo de dor e escândalo, seriam necessárias na vida de seres humanos em expiações dolorosas, mas que, seriam responsáveis todos aqueles que promovessem o escândalo. Seriam punidos severamente.

No cenário que se desenha em minha mente, ali se reuniram e para lá foram atraídos, espíritos em resgates coletivos, de certo com comprometimentos em ações realizadas no passado. Desconheço o passado histórico daquela região, mas, creio ter havido ações conjuntas que criaram esse carma coletivo e no momento propício, a lei de ação e reação reuniu no mesmo cenário, as consciências endividadas, para o aprendizado necessário. Dessa forma, por ali transitaram milhares de seres que sofreram o isolamento, o abandono, o total descaso de uma sociedade, até que, soado o término da expiação, surgiram pessoas comprometidas com a dignidade dos que lá se encontravam. A partir de então, o Colônia, como era chamado o maior hospício do Brasil, deixou de receber internos e cessará suas atividades logo que o último interno que lá se encontre, desencarne.

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Homens e mulheres eram mantidos nus. Foto: Luiz Alfredo (1961)

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Esgoto a céu aberto era fonte de água para internos. Foto: Luiz Alfredo (1961)

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Silvio Savat, ex-menino de Barbacena, fotografado em 1979, confundido com um cadáver. Foto: Napoleão Xavier Gontijo Coelho

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Internos vestiam trapos, mesmo no frio intenso de Barbacena. Foto: Luiz Alfredo (1961)

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Cenário de horror de Hospital Colônia. Foto: Luiz Alfredo (1961)
Fotos: http://entrepaginasesonhos.blogspot.com.br

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