Pensamentos que se completam

Que eu faça um mendigo sentar-se à minha mesa, que eu perdoe aquele que me ofende e me esforce por amar, inclusive o meu inimigo, em nome de Cristo, tudo isto, naturalmente, não deixa de ser uma grande virtude. O que eu faço ao menor dos meus irmãos é ao próprio Cristo que faço. Mas o que acontecerá, se descubro, porventura, que o menor, o mais miserável de todos, o mais pobre dos mendigos, o mais insolente dos meus caluniadores, o meu inimigo, reside dentro de mim, sou eu mesmo, e precisa da esmola da minha bondade, e que eu mesmo sou o inimigo que é necessário amar?” – Carl Gustave Jung

 

AUTO-AMOR E ALO-AMOR

“Amar o próximo como a mim mesmo?

Então eu devo amar a mim mesmo?

Não me devo odiar?

Mas, se eu amo a mim mesmo, não é isso egoísmo? Não é amor-próprio?

Sim, amar a si mesmo é amor-próprio – mas não é egoísmo.

Amor-próprio é auto-amor incluindo alo-amor.

Egoísmo é auto-amor, excluindo alo-amor.

Todos os Mestres mandam que o homem ame os outro como ama a si mesmo.

Todos recomendam auto-amor como ponto de referência para o alo-amor.

Quem não tem auto-amor não existe.

Ausência de auto-amor é inexistência.

Se o meu Eu central não fosse Deus, não me poderia eu amar sem ser egoísta.

Se o meu Eu não fosse idêntico ao Deus no Tu, não poderia eu amar o Tu.

Se Eu e o Pai não fôssemos um, como poderia eu amar a Deus com toda a minha alma, com toda minha mente, com todo o meu coração e com todas as minhas forças?

Todo o amor verdadeiro é auto-amor, porque é teo-amor.

E esse teo-amor é tu-amor.

Por isso posso eu amar o Deus no Eu como amo o Deus no tu – como amo o Deus em Tudo.

Quem vê Deus em tudo pode amar tudo em Deus.

O Deus do mundo no mundo de Deus.

Mas, como poderia eu amar o Deus em si, se não conheço o Deus em mim?

Conhecer a verdade em mim é conhecer o Deus da verdade.

Verdade é liberdade – liberdade é felicidade.

Por isso, orava Santo Agostinho: “Deus, conheça eu a ti, para que me conheça a mim”.

Quem conhece o seu Eu central, e não apenas o seu ego periférico, esse conhece Deus.

Por isso, dizia o Mestre: “Amarás o Senhor, teu Deus”.

Não por acaso, a palavra Eu está contida na palavra D(EU)S.

Como poderia eu amar a Deus que não estivesse em mim?

E como poderia eu amar um Tu sem amar o Eu?

Deus no Eu e Deus no Tu.”

(Huberto Rohden, De Alma para Alma)

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