O Despertar da Borboleta

Em 1958, o Espírito de André Luiz explicou, em “Evolução em dois mundos” – através de Chico Xavier, o processo de morrer, comparando-o a metamorfose de uma borboleta.

Acompanhando de perto esse processo, fica mais fácil entender o que acontece a muitos pacientes em fase terminal, nesses momentos que antecedem a morte.

No estágio final da metamorfose, a lagarta começa a diminuir os seus momentos, até paralisá-los completamente. Sua digestão fica para­lisada e ela não consome mais nenhum tipo de alimento. Ela permanece imóvel, transformando-se em crisálida ou pupa. Fica, assim, dentro do casulo, protegida das intempéries pelos fios que produz a secreção das glândulas salivares e pelos tecidos vegetais, e pequenos gravetos do meio ambiente. Nesse estado, pode ficar alguns dias e até meses.

Na posição de crisálida, o organismo da lagarta sofre modifi­cações consideráveis, com a destruição  de determinados tecidos (his­tólise) e, ao mesmo tempo, a elaboração de órgãos novos (histogênese). Os sistemas digestivos e muscular sofrem alterações de cunho degenera­tivo, reconstruindo-se depois em bases novas. Nessa reconstrução (his­togênese), formam-se novo orifício bucal e trompas de sucção e os mús­culos estriados são substituídos por órgãos novos. Assim, um belo dia, uma linda borboleta deixa o casulo.

Na morte fisica a alma humana passa por um processo semelhante. Com o esgotamento da força vital, em virtude da idade avançada, da enfermidade ou por algum outro fator destrutivo externo, declinam as forças fisiológicas, paralisam-se os movimentos corpóreos e o pacien­te, em estado terminal, não mais tolera a alimentação. A imobilização lembra o estágio de pupa ou crisálida.

E assim como a lagarta produz os filamentos com que se enovela no casulo, também a alma envolve-se nos fios dos próprios pensamentos. Nessa fase, há o predomínio das forças mentais, tecido com as próprias idéias reflexas dominantes do Espírito, estabelecendo-se estado de crisálidaa, por um periodo que varia entre minutos, horas, dias, meses ou decênios.

Com a morte, há destruição dos tecidos corpóreos (histólise) e, ao mesmo tempo, uma reconstrução (histogênese) de alguns tecidos do corpo espiritual ou envoltório sutil. Este é em tudo semelhante ao corpo físico, só que construído de outro tipo de matéria, ainda desco­nhecido da Ciência, e que serve de vestimenta ao Espírito na outra di­mensão da vida. Assim, durante o processo do morrer, há elaboração de órgãos novos, resultantes de grandes alterações dos sistemas digestivo e muscular, além de outras modificações nos sistemas circulatório, nervoso ou genésico. Desse modo, pela histogênese espiritual, órgãos novos recompões esse envoltório sutil, tornando-o um tanto diferente do corpo físico, embora, na aparência, sejam idênticos. Por serem externamente tão similares, os médiuns videntes descrevem os chamados “mortos” tal com se apresentavam durante a existência física.

Somente ao término desse processo de reconstituição do corpo espiritual, a borboleta abandona o casulo, isto é, o Espírito larga o corpo físico, ao qual se uniu, temporariamente durante a existência física e que lhe serviu de sagrado instrumento de aprendizado.

Como se vê, morrer é fácil, mas o processo de desencarnação é mais difícil. Após a morte física, o Espírito ainda tem um lapso de tempo, mais ou menos longo, para desprender-se totalmente dos liames da existência terrestre, segundo o estágio evolutivo em que se encon­tra.

([1]) Texto extraído do livro “Nossa Vida no Além”  de Marlene Nobre – Ed FE

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