Não sei como é que o coelho entrou nessa estória

Uma crônica escrita por Rubem Alves, que transcrevo em parte neste post, de certa forma, se adequa ao meu pensamento no que diz respeito ao coelhinho da Páscoa.

Rubem Alves faz referência a uma crônica escrita por Luiz Fernando Veríssimo em que, pai, mãe e filho conversam sobre o coelhinho como símbolo da Páscoa e que, ao final da conversa, o menino faz uma interessante observação: “Eu acho que ao invés de “coelho da Páscoa” deveria ser “galinha da Páscoa…”

Também acho que assim deveria ser, pois, ao que me consta, coelhos não botam ovos, galinhas, sim.

Sigamos, então, com Rubem Alves!

Confesso minha ignorância: não sei como é que o coelho entrou nessa estória. Para início de conversa é preciso lembrar que os textos sagrados não fazem referência alguma a esse animalzinho fofo. Quem foi que teve a ideia de torná-lo o personagem mais importante dessa celebração cristã?

Certamente um gozador. E para tornar a estória mais absurda, fizeram com que os coelhos, que não botam ovos, botassem ovos de chocolate… Nos tempos de Jesus Cristo havia chocolate? Acho que não. Galinhas não são seres poéticos. Na poesia elas sempre aparecem como bichos engraçados, cacarejantes, de inteligência curta, cuja única função é botar ovos e serem transformadas em canja. Assim é compreensível que vocês não gostem da ideia de galinhas de Páscoa. Eu também não gosto.
Mas poderia ser “pombas de Páscoa”. Pombas são seres teológicos.

Concordo com Rubem Alves, deve ter sido ideia de um gozador! Confesso que nunca aderi a esse aspecto da Páscoa regada a ovos de chocolate. Mas, se alguém me convencer de que coelho bota ovos, e de chocolate, na próxima Páscoa vou presentear meus amigos com ovos de chocolate.

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