Estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas

Alguns companheiros ficaram chocados com meu silêncio em torno do momento político, por não manifestar minhas preferências. Ouvi de alguns que, calar é omitir. Omitir o que?

Outros disseram que como “formador de opinião” (formador de opinião?) temos por “obrigação” manifestar nossa opinião, para servir de espelho às outras pessoas.

(…) estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, (…) nos diz o apóstolo Paulo, em Hebreus 12:1 se referindo aos espíritos que pululam em torno de nós. Atualizando o alerta de Paulo, essa nuvem de testemunhas nos espreitam nas redes sociais a espera de saber se pensamos ou sentimos diferente deles para que, de posse dessa informação, cumpram o caridoso dever de nos conduzir em nossas escolhas, pois, não sabemos o que queremos.

Os dicionários definem o livre-arbítrio como sendo a possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante. A lei nos concede esse direito e aprendemos muito claramente a esse respeito na doutrina espírita.

Portanto, não acho que pelo fato de sermos espíritas, devemos condenar a postura ou escolha de quem quer que seja, nos colocando como donos da verdade e determinando que quem não pensa como nós está obsidiado ou não sabe fazer escolhas. Precisamos examinar o móvel dos nossos pensamentos e interesses quando agimos assim.

Lembro a passagem de Lucas 12:13-14, quando Jesus ao ser inquerido “Mestre, ordena a meu irmão que divida comigo a herança”. Porém Jesus lhe replicou: “Homem, quem me designou juiz ou negociador entre vós?” Se nem Jesus aceitou tal propositura, porque devemos nos colocar na posição de juiz ou negociador?

Se no dia a dia de nossas atividades na casa espírita soubermos desempenhar nosso papel de condutores de almas segundo os ensinamentos do nosso mestre Jesus, estaremos contribuindo para uma sociedade mais justa, consciente e, principalmente livre, que saberá realizar suas escolhas visando o bem de todos, e não só o seu bem. As leis morais estão aí para nos orientar pois “Fazendo compreensíveis o bem e o mal o homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos.” L.E – Q – 780ª.

“Conhece bem pouco os homens quem imagine que uma causa qualquer os possa transformar como que por encanto. As ideias só pouco a pouco se modificam, conforme os indivíduos, e preciso é que algumas gerações passem, para que se apaguem totalmente os vestígios dos velhos hábitos. A transformação, pois, somente com o tempo, gradual e progressivamente, se pode operar. L.E – Q 800.

O que estamos pregando em nossas redes sociais que diferem do que pregamos em nossas casas? Tenho visto companheiros colocarem Jesus de lado, porque o momento é político,  e se desentenderem com os companheiros de ideal, por discordarem de suas preferências políticas. Famílias entrando em choque pela divergência de opinião.

Não quero ser responsável pelas escolhas de ninguém “A cada um segundo as suas obras”, disse Jesus. Qual a parte que me cabe em tudo isso? É o que estou tentando compreender para fazer o melhor.

Namastê!

Compartilhe:

Deixe uma resposta