Ninguém tropeça em montanha

A última semana foi de grande aprendizado para mim. Partindo de coisas simples, pude perceber a grandeza dos ensinamentos que a vida nos traz a todo momento. A sabedoria popular, ou senso comum, nos ensina que, se quisermos deter o voo de um pássaro basta que lhe cortemos uma das asas. Me parece que o ensinamento também se aplica a nós, seres humanos. Da mesma forma, não são só os grandes tropeços que impedem a nossa marcha, pequenos tombos também podem nos impossibilitar de seguir adiante e nos colocar sob os freios da vida. Planos, compromissos, tudo o que até então eram por demais importante ficam em segundo plano, aguardando o momento em que poderão ser colocados em prática. Por que estou escrevendo sobre isso?

Constava na minha programação em Teresina, terça-feira, 28 de maio, fazer no período da tarde minha prova do Curso de Serviço Social e a noite realizar palestra no Centro Espírita Fabiano de Cristo. Como a manhã estava livre, resolvi ir ao centro da cidade na companhia da minha filha Alessandra e neta Mirela. Ao adentrar um estabelecimento comercial e me dirigir ao fundo da loja não percebi o desnível de um degrau, perdi o equilíbrio e cai sobre o ombro. Imediatamente, ficou claro pra mim que algo de mais grave havia acontecido, em virtude da impossibilidade de movimentar o braço, tamanha era a dor. Ao chegar no hospital de emergência, após a consulta médica e exame de raio x, foi constatada a necessidade de uma cirurgia para a colocação de uma placa de vez que, o ombro rompera e o osso estava partido em vários pedaços. A primeira coisa que me ocorreu foi pensar nos compromissos da tarde/noite. Em seguida, a ficha caiu: a vida não está sob o meu comando. Agora é seguir conforme o rumo apontado por ela. Entrei em contato com as pessoas relacionadas aos meus compromissos comunicando o fato e já desmarcando compromissos mais próximos. A hora agora era de dedicação total a mim mesma.

Comecei a contabilizar as bençãos: o fato não ocorreu no meio da rua, o que poderia ter gerado danos maiores; aconteceu em cidade com excelentes recursos e em meio a familiares (recentemente viajei para a Argentina. Já pensou se tivesse acontecido por lá?); o médico que me atendeu era um especialista em ombro e excelente ser humano; recebi pronto atendimento e carinho e cuidados da família. O que mais poderia desejar?

Gratidão é a palavra que define esses momentos de tantos aprendizados e reflexões.

Retorno hoje à Parnaíba, profundamente grata a Deus, a todas as pessoas com as quais estive em contato e que me acolheram com muito carinho, e em especial, o carinho da filha, genro e netas.

Como disse no início, um pássaro com uma asa só fica impossibilitado de grandes voos. Não sei por quanto tempo viverei à impossibilidade, em virtude desse acontecido, mas, espero que seja um tempo breve. Outro ensinamento, me lembra o título de um livro que li a algum tempo atrás: Ninguém tropeça em montanha. Pois é, foi um simples degrau que me tirou algumas possibilidades.

Estou voltando para casa, graças a Deus!

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